O tempo tem passado e mais eu fico sensível ao que o povo de Deus tem falado em suas músicas.  Fico olhando para mim mesma e os irmãos durante um momento de louvor a Deus em canções e vejo como somos hipócritas dizendo palavras tão bonitas, mas que não vivemos, não deixamos nos convencer ou até não entendemos.

Algumas músicas que têm realmente me pertubado são aquelas que dizem que somos amigos de Deus ou que não somos apenas servos e que Seus amigos nos tornamos. Respeito muito os compositores delas mas será que como Igreja em geral podemos realmente fazer declarações tão audaciosas assim? Preciso ir no texto onde Jesus tocou no assunto de amizade com Ele e ver o que Ele realmente disse sobre isto.

Dizem que o que importa não é o começo mas sim o final e por isso entendo que os últimos dias de Jesus aqui na terra nesse corpo mortal foram extremamente calculados e cheios de propósito. Jesus sabia que iria morrer e não fez ou falou nada sem conciência do que fazia ou sem saber a  importância de nos deixar uma lição séria e profunda para os nossos dias. Nós somos o Corpo de Cristo hoje e eu creio que nos últimos 7 dias de Jesus antes de Sua morte na cruz, Ele deixou segredos importantíssimos para nós que estamos vivendo os últimos dias do Corpo dEle, a Igreja, na terra. E um desses pontos chaves para Ele foi tocar no assunto de ser amigo de Deus.

Foi bem na sua última refeição, momento de comunhão e prazer junto com aqueles que andaram mais perto dEle, que Ele disse o seguinte em João 15:

“Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor.  10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.  11Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.  12O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.  13Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.  14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer. 16Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.  17Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.”

Como é bom dizer que porque Jesus disse que não mais chamava Seus discípulos de servos mas sim de amigos e automaticamente atribuir isto a nós! Mas eu tenho que ver como a conversa começou. Jesus começa nessa linha de pensamento ensinando que se eu permaneço em Seu amor, eu guardarei os Seus mandamentos e se eu fizer o que Ele manda, então serei Sua amiga.

Sabemos que houve um relato de um amigo de Deus na Bíblia, Abraão. Na maioria das vezes que se menciona o nome de Abraão, logo em seguida vem o seu título de amigo de Deus. Que coisa maravilhosa! Mas você já reparou que foi Deus que o chamou de amigo, e não Abraão se dando o título de amigo de Deus?

Ok, Jesus disse que Ele chamava os discípulos de amigos agora, é claro que, se eles fizessem o que Ele mandasse. Nas minhas observações na minha própria vida, vejo que é tão fácil fazer as coisas, cumprir regras, ser diligente e se esforçar para obedecer. Mas Jesus diz que tudo isso tem que começar em algo que parece ser tão elementar, mas é o desafio maior da Igreja Global que ainda não foi posto como prioridade para aprender ou muito menos colocar em prática, o tal do permanecer no Seu amor. Há congressos, livros, escolas para aprender e buscar tudo mas ainda não vi uma iniciativa conciente da Igreja de ensinar uma geração o que é realmente permanecer no amor de Jesus.

Dizer que amo alguém é fácil mas amar mesmo requer tudo que I Coríntios 13 diz.  E amar requer ações e não sentimentos, muito menos somente palavras. E vejo então que se estou sofrendo, estou amando. Se estou suportando, estou amando. Se não busco os meus próprios interesses em um relacionamento, estou amando. Se estou crendo e esperando na transformação de alguém sem me irritar, estou amando. Se não suspeito mal do meu irmão, estou amando… Se me alegro com a verdade e não com a injustiça do outro, estou amando. Por não priorizarmos o princípio do permanecer no amor de Jesus, há tanto divórcio, divisão, competição, contenda, pobreza, e muita gente não alcançada pelo Evangelho. Pois hoje se prega um evangelho sem sofrimento, sem perseverância, sem saber esperar, sem zelo pela verdade…

Se eu não amar, posso esquecer de me entitular amigo de Deus! Se eu não amar, cantar músicas dizendo que sou amigo de Deus é simplesmente uma forçação de amizade que não impressiona nenhum pouquinho a Deus.

Ser amigo de Deus é possível, porque se não Jesus não teria mencionado na Sua última conversa com os discípulos. Mas eu me recuso a cantar músicas que exaltam a mim e prefiro deixar Deus me chamar de Sua amiga, se assim Ele me vê. Porque sem realmente preencher os requesitos de ser amigo de Deus é muita presunção e arrogância de minha parte e com certeza uma grande ofensa a Pessoa dAquele que tudo sabe.

Entendo mais o porque o dom do amor é o maior, pois baseado somente neste atributo de Deus abriu-se a possibilidade para que eu pudesse receber a salvação. E amigos têm que ter coisas em comum.

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