Eles se esconderam. Desde o Jardim perfeito do Éden, onde não havia incômodos, onde não havia nada de se reclamar, onde tudo era lindo, onde todas as necessidades eram supridas, onde o homem e a mulher tinham liberdade de serem os maiores, onde também havia uma só regra, aparentemente não impossível de se obedecer, o homem e a mulher, não só um mas os dois, se esconderam da comunhão com Deus quando pecaram. Interessante que Deus os procurou para um encontro face a face. Deus é espírito, mas Ele vinha se encontrar num lugar específico, onde Deus podia olhar nos olhos, conversar e ter comunhão.

Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado. I João 1:6-7

Não posso dizer por toda Igreja Global pois seria presunção demais, mas posso comentar no que tenho visto na América do Norte, a igrejahiding tree americana e a igreja brasileira imigrante.  Algo está acontecendo nesses dias que tem sido muito evidente e alarmante.  A minha esperança é que isso mude, mas ainda não sei se é a peneirada de Deus já em ação ou a Sua longanimidade em trazer um avivamento nesta nação.

Nesta “crise” financeira, um fenômeno está ocorrendo. Em muitas igrejas, o crescimento em número tem diminuido. Na verdade, as mega-igrejas (essas são as de frequencia semanal de mais 2.000 pessoas) tem crescido e as menores tem diminuido. Isso porque as pessoas tem procurado as igrejas onde podem oferecer algum benefício. Perguntando ao um pastor, muito conhecido na California de uma igreja grande, como estava a frequencia na sua igreja, ele me disse: “A frequencia tem aumentado, mas também as necessidades. As entradas financeiras tem diminuido drasticamente, o que tem trazido muito peso para a igreja.” Com a crise, as pessoas tem procurado as igrejas para ajuda financeira ou um lugar onde se sintam bem e não confrontadas para aparecerem mais com Jesus. Em geral, o pastor sempre é comprometido, mas os membros são simplesmente o público ouvinte de cada reunião semanal.

Muitos crêem que o crescimento de mega-igrejas é um transito de pessoas de igrejas menores para as maiores, e não necessariamente crescimento do Reino de Deus. Essas igrejas acostumam ter bem mais recursos, que não promovem necessariamente transformação de vidas, mas suprimento de necessidades e até entretenimento, melhores instalações, melhor música, melhor mídia, etc… lugar fácil para chegar, se assentar e assistir a apresentação, ao invés de prestar culto ao Senhor com sacríficios de louvor.

“A estória da mega-igreja não é realmente sobre crescimento. É sobre mudança de lealdade. As pessoas querem se sentir bem pelo o que elas já são,” diz Philip Goff, diretor do Centro de Estudos de Religião e Cultura Americana na Indiana University em Indianapolis. “Se a igreja for muito dura/desafiadora ou não entretenidora, as pessoas procuram outra.”

A situação do país tem afetado muito a comunidade brasileira imigrante também. Com a esperança adiada de documentação e a saudade grande dos que ficaram no Brasil, os sofrimentos dos meus compatriotas tem sido muito grandes. Mas da mesma forma que a maioria da igreja americana não tem buscado a Deus, o imigrante também tem sido tentado a tirar os olhos do Senhor e procurar lugares de mais conforto e menos confronto ao meio de tanta luta.

De uns anos para cá, tem surgido o que chamo de “igrejas franchise” que são plantadas nas regiões onde há brasileiros por igrejas grandes e muito conhecidas no Brasil. Essas chegam com muitos recursos vindos de fora e acabam atraindo muitos de outras, as vezes por causa do nome, ou uma personalidade famosa, ou até mesmo recursos financeiros para melhor apresentação, melhores festas, maior movimento, frutos que não são locais, mas sim tudo vindo do estrangeiro. Novamente, o fenômeno da “mega-igreja”,  só que no exterior acontecendo na comunidade brasileira imigrante. E assim, os imigrantes migram de igreja em igreja, buscando o seu bem-estar melhor, pois foi para isso que muitos, não todos, saíram do Brasil.

Interessante que, por causa do pecado oculto, Gênesis 3:8 diz:

“E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim a tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.”

(Um dia eu vou ali, outro dia eu vou lá, me escondo atrás do nome grande, assim não tenho que frutificar ou contas a prestar…)

Escolhendo estar entres as árvores, eles se esconderam da comunhão local com Deus, daquele lugar específico onde Deus esperava encontrá-los, porque estavam nús. Assim Jesus também classificou a igreja de Laodicéia, dizendo que não eram nem quentes e nem frios, mas sim mornos e que seriam vomitados da boca de Deus. Diziam-se ricos e que não eram necessitados de nada, mas Jesus os chamou de coitados, miseráveis, pobres, cegos e nús. E logo Jesus recomenda-os comprar ouro refinado, o que diz de muita dureza, provação e transformação.

Porém, tanto na igreja americana como na igreja brasileira imigrante, há um remanescente que está gemendo com dores de parto, perseverantes, fiéis, santos, consagrados e separados das coisas do mundo, que dão fruto com muito sofrimento em tempo e em fora de tempo, ali onde seus pés estão plantados, vivendo o presente intensamente para Deus, que pecam mas são velozes para se arrependerem, que não se escondem da comunhão com Deus que é encontrada na comunhão com o Corpo de Cristo local e na dependência dessa conecção através da oração. Essas são pessoas que querem ser encontradas servindo, abençoando, dando vida, sabendo que seus irmãos precisam dele, seus pastores precisam dele, sua comunidade precisa dele. Estes pertencem a geração que está sensível aos tempos, que tem suas mentes pensando nas coisas do alto, nas coisas que realmente importam, como a eternidade e não com o suspiro que é essa vida na terra, e que  reconhece que o grande Dia do Senhor está chegando.

Estes não se escondem. Querem ser olhados nos olhos e provados com fogo para resplandecerem mais a glória de Deus.

Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e as boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. Hebreus 10:24-25

Advertisements